ciberduvidas Ter dúvidas é saber. Não hesite em nos enviar as suas perguntas. Os nossos especialistas e consultores responder-lhe-ão o mais depressa possível.

[O Nosso Idioma]

Afinal quantos zeros tem um bilião? 9 ou 12? *

Carolina Reis**

Abordagem no semanário Expresso de 19 de Janeiro de 2008 (ver vídeo) sobre as duas escalas diferentes para classificar os números grandes. Como temos referido várias vezes aqui no Ciberdúvidas, só até ao milhão é que a terminologia é a mesma na Europa e nos EUA, assim como no Brasil. Depois, é a confusão permanente….


texto descritivo da imagem

Sabe quanto é um bilião? Apesar de a matemática ser uma ciência exacta, depende do país onde estiver. Se for europeu, o mais provável é que um bilião seja um milhão de milhões, 1 000 000 000 000 (doze zeros). O que para um americano é equivalente a um trilião. Mas se viajar até aos Estados Unidos, aí já tem de contar com um número com nove zeros, o que para nós é um milhar de milhões.

«Os números são os mesmos, a diferença está nos nomes que lhes damos», diz Nuno Crato [na foto ao lado], presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Na generalidade dos países europeus, adoptou-se uma escala para nomear os números grandes — a escala longa. Enquanto nos EUA (em vários países de língua inglesa, e noutros, como o Brasil), adoptou-se uma escala diferente — a curta. Até ao milhão a terminologia é a mesma, depois é que começam as diferenças. Na escala curta, o termo é multiplicado mil vezes pelo anterior; na longa, é multiplicado por um milhão.

Apesar de sublinhar que nenhuma das escalas é superior, Crato admite que a escala curta, dos EUA, seja fácil e mais prática para o conhecimento humano.

A diferença entre o bilião "europeu" e o bilião "americano" tem mexido muitos zeros. É por isso que Daniel Amaral lançou, na sua crónica no Expresso, dia 22 de Dezembro, um repto para uniformizar a linguagem. O economista explica que no mundo financeiro é muita a confusão que se faz entre os dois biliões. Mesmo com escalas diferentes, Daniel Amaral afirma que o bilião utilizado na economia é o "americano". A opinião é partilhada por João Duque, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, que diz que a confusão entre biliões é um problema que se põe na informação financeira. Para Silva Lopes, presidente do Montepio Geral, as confusões entre o bilião "americano" e o "europeu" terminavam com a uniformização da linguagem. «Nem que tivesse de se inventar outra palavra.»

O banqueiro adverte que na economia «um bilião com 9 zeros é um número importante, enquanto o bilião com 12 zeros é pouco utilizado». E que mesmo que esteja a discutir números com outro europeu, o bilião "americano" é o assumido. «Só com os franceses é que dizemos o milliard, porque eles arranjaram uma palavra própria.»

Se algum dia se avançar para uma alteração da palavra, o português não será um entrave. «A língua é uma unidade mutável e a tendência é para adoptar o bilião "americano", até pela própria influência da cultura norte-americana», diz o professor de Português Pinto Amaral.

No entanto, até agora ainda não surgiram propostas de adopção da escala norte-americana. A garantia vem de Eduarda Filipe, do Laboratório de Meteorologia do Instituto Português da Qualidade1. Desde 1948 que o sistema se mantém. Tudo porque a 9.ª Conferência de Pesos e Medidas recomendou a escala longa para os países europeus.

O professor Guilherme de Almeida, autor do livro Sistema Internacional de Unidades, Grandezas e Unidades Físicas, Terminologia, Símbolos e Recomendações, alerta que uma uniformização da linguagem não pode partir de uma iniciativa nacional. «Se formos os únicos a adoptarmos a escala curta, então afastamo-nos da Europa.» E diz que este problema não se põe no mundo científico. «Na ciência damos primazia à numeração, em vez do substantivo.»

Já para Carlos Fiolhais, professor de Física na Universidade de Coimbra, existem outras questões mais urgentes para padronizar. «Nos biliões, o importante é que quando se faça a tradução se tenha em conta a escala.»

1N. E. : A autora quis dizer «Laboratório de Metrologia do Instituto Português da Qualidade».

* in Expresso de 19 de Janeiro 2008 :: 20/01/2008

Sobre a autora

** Carolina Reis (Lisboa, 1983) é jornalista do Expresso.

Enviar:

O Nosso Idioma

Textos de investigação/reflexão sobre língua portuguesa.

«Isso pode ficar entre "parentes", professor?»
Sobre o (bom) uso das aspas
«Vocês só "estrovam" o negócio»
«Se Ele existe, porque "adoencemos"?»
Eles não "corrugem" as provas
Aulas muito "vantagiosas"!
«Assim ele não "te gosta", não é?»
O doce com nome de (um) brigadeiro
«Nem por isso»
No tempo do livro

Temas

A arte do uso da linguagem

A língua portuguesa vista por estrangeiros

Acordo Ortográfico

Aportuguesamento de termos estrangeiros

Concordância

Ensino

Escritores e poetas

Estrangeirismos

Evolução semântica

Expressões idiomáticas, frases feitas

Género

Gerundismo

Gírias

Histórias de palavras

Interpretação dos provérbios

Léxico

Literatura

Neologismos

O português do Brasil

O português em Angola

O português em Timor

O português nos 8 países da CPLP

O português, língua científica

O uso e abuso da língua inglesa

Onomástica

Pontuação

Português do Brasil vs Português europeu

Pragmática

tecnologia

toponímia

Unidade e diversidade da língua

Uso e norma

Uso inadequado do léxico na política

Uso incorreto do léxico na comunicação social

Verbos



Autores

Abel Barros Baptista

Afonso Peres

Agostinho de Campos

Alex Sander Alcântara

Alfredo Barroso

Álvaro Garcia Fernandes

Ana Goulão

Ana Martins

Ana Sousa Martins

Anselmo Borges

António Costa Santos

António Dinis da Cruz e Silva

António Pinho Vargas

António Valdemar

António Vieira

Arnaldo Niskier

Augusto Soares da Silva

Augusto Soares da Silva; Marlene Danaia Duarte

Carlos Alberto Faraco

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Reis

Carlos Rocha

Carolina Reis

Cecília Meireles

Chico Viana

Daniela Cordeiro

Desidério Murcho

Diogo Pires Aurélio

Duda Guennes

D´ Silvas Filho

Edgard Murano

Edno Pimentel

Eduardo Cintra Torres

Eduardo Prado Coelho

Eugénio de Andrade

Fernando Braga

Fernando Sabino

Fernando Venâncio

Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca

Ferreira da Rosa

Ferreira Fernandes

Ferreira Gullar

Francicarlos Diniz

Francisco Belard

Gonçalo M. Tavares

Henrique Monteiro

Ida Rebelo

Isabel Coutinho

Isabelle Oliveira

João Bonifácio

João Cabral de Melo Neto

João de Melo

João Paulo Coelho de S. Rodrigues

João Paulo Cotrim

João Ubaldo Ribeiro

Joaquim Ferreira dos Santos

Joaquim Vieira

Jorge Daupiás

Jorge Miranda

José Eduardo Agualusa

José Luis Peixoto

José Mário Costa

José Mário Costa,João Matias

José Neves Henriques

José Paulo Cavalcanti Filho

José Pedro Ferreira

José Saramago

José Tolentino Mendonça

Luciano Eduardo de Oliveira

Luís Campos e Cunha

Luís Carlos Patraquim

Luís Fernando Veríssimo

Luís Francisco Rebelo

M. Rodrigues Lapa

Manuel Alegre

Manuel Bandeira

Manuel Gonçalves da Silva

Manuel Matos Monteiro

Manuel Rodrigues Lapa

Manuel Rui

Margarita Correia

Maria Helena Mira Mateus

Maria Lúcia Lepecki

Maria Regina Rocha

Mário Bettencourt Resendes

Mário de Carvalho

Mário de Carvalho

Mário Ramires

Mário Vieira de Carvalho

Markus Schmid

Marta Martins Silva

Miguel Esteves Cardoso

Miguel Gaspar

Nelly Carvalho

Nuno Crato

Nuno Júdice

Nuno Pacheco

Olavo Bilac

Padre António Vieira

Pasquale Cipro Neto

Paulo Afonso Grisolli

Paulo Araújo

Paulo J. S. Barata

Paulo José Miranda

Paulo Moura

Paulo Pisco

Pedro Mexia

Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Nabais

Rita Pimenta

Robert Macpherson

Rodrigues Lobo

Rui Araújo

Sandra Duarte Tavares

Sara Leite

Sérgio Rodrigues

Sírio Possenti

Teixeira de Pascoaes

Telmo Verdelho

Ursulino Leão

Vários

Vasco Barreto

Vasco Graça Moura

Vasco Pulido Valente

Vítor Bandarra

Wilton Fonseca


Mostra todos

Ciber Escola Ciber Cursos